Um dos grandes desafios dos pais nos últimos anos é controlar o uso excessivo de redes sociais por crianças e adolescentes. Enquanto medidas como a proibição de celulares nas escolas são adotadas, os responsáveis, em casa, se esforçam para impor limites ao tempo de tela.
A adoção de aplicativos e softwares de controle parental tem se tornado uma ajuda a mais para os pais. Essas ferramentas monitoram e gerenciam o que os filhos fazem no celular, seja replicando o conteúdo para outro aparelho, bloqueando aplicativos ou restringindo o acesso a determinados conteúdos.
O interesse por controle parental nunca foi tão alto. Dados do Google Trends mostram que as buscas pelo tema cresceram 47% em 2024 em comparação com 2023.
O assunto atingiu seu pico de popularidade em setembro de 2024, impulsionado pelo lançamento da Conta de Adolescente no Instagram —a funcionalidade aplica automaticamente restrições mais rigorosas a perfis de menores de 18 anos, impondo regras mais rígidas de supervisão parental.
A preocupação com o tema começou a crescer em 2019 e se intensificou em 2020, durante a pandemia da Covid, quando os jovens passaram mais tempo conectados à internet.
A tendência continua em alta, impulsionada por atualizações em ferramentas de controle parental. Em fevereiro deste ano, o Google anunciou novidades no aplicativo Family Link, permitindo que os pais estabeleçam limites diários para o uso de cada aplicativo e controlem quais contatos podem ser adicionados à agenda dos filhos.
Recentemente, o Governo Federal lançou o guia Crianças, Adolescentes e Telas, um material baseado em evidências científicas e boas práticas para auxiliar pais, educadores e assistentes sociais no uso responsável de dispositivos digitais.
Esses aplicativos também podem ser ferramentas úteis para garantir a segurança digital das crianças e adolescentes, mas o uso deve ser combinado a um diálogo sobre responsabilidade, privacidade e uso consciente da tecnologia. Isso porque muitos adolescentes acabam não tendo mais confiança nos pais.
Para Danielle Admoni, psiquiatra da infância e adolescência, supervisora na residência de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), é importante os pais terem autoridade e colocar o celular em um conjunto de regras do que pode ou não ser feito. Porém, ela ressalta que os aplicativos são uma última medida, e o que os pais devem, primeiramente, conversar e orientar os jovens.
A psiquiatra afirma que é preciso construir uma relação de confiança com os filhos, em que a criança e o adolescente saibam que podem e devem procurar os pais quando tiverem alguma dúvida ou algum problema.
“A confiança vem lá de trás. Não dá para chegar em um menino de 15 anos e resolver monitorar ele quando o relacionamento sempre foi outro”, diz. Segundo Admoni, a confiança passa por questões maiores do que o uso do celular.
Luiza Dias, presidente da GlobalSign, uma autoridade certificadora especializada em cibersegurança, afirma que existe uma dificuldade para os responsáveis educarem os filhos sobre a internet por falta de conhecimento. “Os pais hoje estão com a responsabilidade de educar os filhos sobre como estar seguro num mundo digital, mas o mundo digital é desconhecido para os pais.”
Para dimensionar o problema, ela diz ser necessário comparar o mundo físico com o digital. “Assim como verificamos a segurança de uma loja antes de entrar, é essencial avaliar aplicativos antes de permitir que os filhos os usem.”
Confira abaixo alguns dos principais aplicativos de monitoramento e como funcionam.
Android Parental Control
Este aplicativo precisa ser instalado tanto no celular do responsável quanto no da criança ou adolescente. Depois de instalado no celular do responsável, é preciso fazer uma conta. Para conectar no celular monitorado, é preciso inserir o código gerado no AirDroid Parental Control. Ele permite diversas operações remotas, como acesso à câmera e ao microfone do dispositivo monitorado, espelhamento de tela em tempo real e rastreamento do aparelho.
Além disso, possibilita o monitoramento de mais de dez redes sociais, enviando alertas sobre conteúdos inadequados ao responsável. Também permite impor limites de tempo para jogos e redes sociais, definir horários de inatividade, como o período de sono, e bloqueando aplicativos e sites específicos.
Ele também possui o modo oculto no celular da criança. Basta abrir o aplicativo no aparelho a ser monitorado, rolar a página até o final e e selecionar a opção “ocultar ícone”. Se o celular for iOS, é possível definir restrições que impeçam que o filho desinstale o aplicativo sem a permissão do responsável.
O aplicativo oferece teste gratuito por alguns dias, mas depois tem algumas opções de pacotes —mensal por US$ 9,99 (cerca de R$ 56), trimestral por US$ 19,99 (cerca de R$ 113) e anual a US$ 59,99 (cerca de R$ 341).
Family Link
Para usar o aplicativo, é preciso instalar no celular do responsável, que pode ser Android ou iOS. No celular da criança —deve ser com Android, de preferência o 7.0 ou mais recente—, crie ou vincule a uma conta Google Infantil, vai ser por meio dela que os pais terão controle ao que a criança faz. Também é possível utilizar os recursos e gerenciar o acesso dos filhos por navegador sem a necessidade de instalar um aplicativo.
O aplicativo do Google permite:
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Bloquear aplicativos e configurar contas e permissões de dados, além de gerenciar permissão de sites
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Localizar o dispositivo em tempo real
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Monitorar chamadas e mensagens de texto que a criança pode fazer e receber. No entanto, o aplicativo não permite ler as conversas em outros celulares, nem mesmo do WhatsApp
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Configurar períodos de estudo sem distrações, silenciando notificações e restringindo o uso de aplicativos
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Definir limites de uso para o aparelho e para programas específicos, como YouTube, Instagram e jogos
O Family Link é gratuito e está disponível para Android e iOS. No entanto, caso o celular monitorado seja um iPhone, o aplicativo só pode controlar o acesso a serviços do Google, como YouTube e pesquisa. Para controle mais amplo, é necessário utilizar as configurações de controle parental do próprio iOS.
FlashGet Kids
Este aplicativo deve ser instalado no celular do responsável. Após criar uma conta, irá abrir um site no celular monitorado para poder baixar o arquivo do aplicativo da criança no navegador, e não no Google Playstore. Vale ressaltar que o aplicativo só monitora celular com Android, ou seja, não funciona se seu filho tiver iPhone. O aplicativo fica escondido na tela inicial do celular da criança e só pode ser visto pelo do navegador.
Entre suas funções, estão:
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Controle remoto da câmera do dispositivo da criança
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Espelhamento de tela
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Acesso à localização em tempo real
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Monitoramento do uso de aplicativos
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Acesso ao microfone do celular monitorado, captando o áudio ambiente
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Notificações sobre atividades e comportamentos diários do usuário
Disponível para os pais no Android e iOS. O valor anual do aplicativo é de US$ 59,99 (cerca de R$ 341), trimestral é de US$ 19,99 (cerca de R$ 113) e mensal é US$ 8,99 (cerca de R$ 51).
Kidslox
O Kidslox permite um controle rigoroso do tempo de tela e controla tanto iPhone quanto Android. É preciso baixar o aplicativo tanto no celular do responsável, em que criará a conta central, quanto no que será monitorado. Não tem como ocultar o app do celular monitorado e para desinstalar é preciso da senha da conta dos pais.
O aplicativo permite:
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Definir um limite de horas e dias de uso do dispositivo
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Bloquear automaticamente o celular quando o tempo permitido se esgota
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Acessar um relatório detalhado do uso do aparelho, incluindo os aplicativos mais utilizados e os temas pesquisados pela criança
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Estabelecer horários específicos para atividades como estudo, refeições e sono
Disponível para Android e iOS, oferece uma versão gratuita por três dias. Depois disso, é possível seguir com uma versão básica ou assinar planos de US$ 34,99 (R$ 199) e de US$ 54,99 (R$ 313)
Qustodio
O Qustodio oferece uma abordagem completa de controle parental. O aplicativo deve ser baixado primeiro no aparelho dos pais, que criarão uma conta, e depois no dos filhos, seja celular, tablet ou Kindle. Não é possível ocultar o aplicativo dos dispositivos móveis para que as crianças não vejam que estão sendo monitorados, apenas dos computadores.
Ele apresenta com recursos como:
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Filtragem de conteúdos inadequados
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Controle de tempo de tela e bloqueio de aplicativos, jogos e sites indesejados
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Alertas sobre riscos potenciais, como cyberbullying e assédio online
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Rastreamento da localização do dispositivo
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Monitoramento de chamadas e mensagens
Está disponível para Android, iOS, Windows e Mac, oferecendo uma plataforma abrangente para o monitoramento digital. O plano básico custa R$ 78,90, já o completo é R$ 139,95.
Colaborou Vitória Pereira.