Mais robusto, mais potente e mais moderno, o Switch 2, console de videogames que será lançado pela Nintendo em 5 de junho, não fica devendo nada para seus rivais PlayStation e Xbox, e promete recolocar a gigante japonesa dos games em pé de igualdade com seus principais concorrentes no mercado.
A Folha teve acesso ao novo aparelho em um evento para a imprensa em Nova York logo após a transmissão online da última terça (2), em que a Nintendo revelou detalhes do console.
A primeira impressão é a de que o aparelho é um “Switch para adultos”. Maior, ele é também mais ergonômico e encaixa melhor na mão do que o seu antecessor, que agora parece pequeno pequeno e frágil. Também ajuda a dar essa impressão o visual mais sóbrio, todo preto, em comparação com os reluzentes controles azul e vermelho de antes.
Os botões nos ombros ficaram um pouco maiores, e os direcionais analógicos também aumentaram. Além disso, os “sticks” têm um ângulo de ação ampliado (o que facilita a gradação dos comandos) e são bastante suaves —novidades que a Nintendo acredita serem suficientes para deixar no passado os problemas de “drift” nos controles do seu antecessor.
Ao segurar o aparelho em seu formato portátil, chama a atenção o tamanho da tela, de 7,9 polegadas (ante 6,2 no anterior). Apesar de ser de LCD, tecnologia mais antiga do que o OLED utilizado nos modelos mais novos do Switch, a qualidade da imagem impressiona.
A melhor resolução da tela (1920×1080 contra 1280×720) ajuda na tarefa, mas a sensação é intensificada principalmente por novas tecnologias de aprimoramento da imagem, como DLSS (que utiliza inteligência artificial para aumentar a resolução das imagens) e HDR (que amplia o espectro de tons claros e escuros exibidos), ambas suportadas pelo hardware.
“Durante o desenvolvimento, houve muitos avanços na tecnologia LCD. Analisamos a tecnologia disponível para nós no momento e, após muita consideração, decidimos manter o LCD”, afirmou Tetsuya Sasaki, diretor técnico do Switch 2, em entrevista coletiva.
Já quando está ligado à TV, o aparelho é capaz de rodar jogos em resolução 4K (3840×2160) exibindo 60 quadros por segundo, ou até 120 em resolução Full HD (1920×1080). Números bastante semelhantes ao que os consoles da Sony e da Microsoft conseguem entregar.
Durante o evento em Nova York, foi possível ver o Switch 2 rodando de forma impecável jogos exigentes graficamente, como “Cyberpunk 2077”, e recém-lançados, como “Civilization 7”. O ainda em desenvolvimento “Metroid Prime 4: Beyond”, da própria Nintendo, porém, foi o que mais impressionou por sua imagem cristalina —o jogo também será lançado no Switch original, mas, assim como outros, terá uma versão aprimorada para o novo aparelho.
Em termos de jogabilidade, a principal novidade é a possibilidade de utilizar os controles do como mouses. A princípio, o recurso parece pouco prático para ser usado no sofá da sala, sem uma superfície de apoio, mas Kouichi Kawamoto, produtor do Switch 2, diz que o console foi concebido com essa questão em mente.
“Depende do material, mas fizemos ajustes para que você possa controlar o mouse sobre suas calças [apoiado na coxa]”, afirmou o executivo. “Há algumas pessoas no setor de desenvolvimento que até preferem jogar dessa maneira.”
De fato, em jogos como “Drag x Drive” —título de lançamento do Switch 2 em que o jogador utiliza os controles de mouse para mover seu personagem em uma cadeira de rodas—, que não precisam de movimentos superprecisos, a técnica funciona bem. Já em jogos de tiro, como “Metroid 4”, usar uma superfície firme é mais indicado.
Entre os títulos de lançamento do Switch 2, o principal destaque é “Mario Kart World”. Sucessor de “Mario Kart 8”, jogo de maior sucesso do Switch, o game de corrida dará liberdade sem precedente na série. Além das emocionantes corridas em circuitos pré-definidos, o game também permitirá que os jogadores passeiem em um mundo aberto.
Outra boa novidade é o retorno de Donkey Kong como protagonista de uma aventura 3D. “Donkey Kong Bananza” será outro exclusivo do Switch 2 e, com lançamento previsto para 17 de julho, terá papel crucial para catapultar as vendas do novo console neste início de ciclo.
O grande obstáculo que se desenha para o aparelho por enquanto é o preço. Com venda sugeria a US$ 449,99 (cerca de R$ 2.500, sem considerar impostos), o console chega a ser mais caro que algumas versões do PlayStation 5 nos EUA.
Como a Nintendo promete manter o suporte ao Switch original por mais algum tempo, é possível que vários proprietários do aparelho lançado em 2017 decidam aguardar mais um pouco para fazer a atualização. O que impactaria negativamente nas vendas, pelo menos inicialmente.
Tendo em vista que o preço não será o forte do Switch 2, só um catálogo robusto de exclusivos será capaz de convencer os consumidores a fazer esse investimento.
O jornalista viajou a convite da Nintendo.