Talvez exista alguém capaz de achar defeito na Pietá de Michelangelo. Ou no David.
Que veja imperfeições nas “Bachianas Brasileiras número 5” de Heitor Villa-Lobos. Ou no “Trenzinho do Caipira”.
Certamente, hoje em dia, e não por motivos musicais, haverá paspalhões que viram o rosto para “Construção”, de Chico Buarque. Ou para “Eu te Amo”.
Como deve existir quem diga que Elis Regina nem cantava tanto assim ou que Pelé, de fato, era bom, chutava com os dois pés, cabeceava como ninguém, batia pênaltis e faltas, até pegava no gol, mas que só seria atleta perfeito se também fosse craque no basquete.
Eis o problema de Stephen Curry.
Ele faz cestas de três pontos como jamais alguém fez, tem mais de 90% de acertos em lances livres, pega rebotes em profusão apesar de seu 1,88 m, é bem-humorado, simpático e tetracampeão da NBA, além de medalhista de ouro olímpico.
Com a bola nos pés, porém, é um fiasco.
Dia desses, mais exatamente na terça-feira 1º de abril, acreditem a rara leitora e o raro leitor, ele só não fez chover em Memphis (nada a ver com Depay) ao liderar o Golden State Warriors em vitória decisiva na luta para obter a classificação do time de San Francisco aos playoffs da NBA.
Gols não fez nenhum, mas pontos chegou aos 52, com nada menos de 12 cestas de três, pegou dez rebotes, deu oito assistências, cinco roubos de bolas e acertou os oito lances livres que arremessou, na vitória por 134 a 125 sobre os Grizzlies —e não se iluda com os nove pontos de diferença, porque o jogo esteve indefinido até o último minuto, com impressionante troca de liderança no placar no segundo tempo infernal, a justificar a frase de mestre Armando Nogueira: “O basquete é um jogo criado por Deus e administrado pelo Diabo”.
Basta dizer que ao faltarem três minutos e 30 segundos os Grizzlies venciam por quatro pontos depois de estarem em desvantagem por 17 pontos no primeiro tempo.
Alguém dirá que Curry está longe da perfeição porque errou oito dos 20 arremessos de três pontos, e não há como discordar de conclusão tão objetiva, embora se trate, desculpe, de afirmação típica de um idiota da objetividade.
Resta informar que nesta quinta-feira (3), às 23h, quem tiver os aplicativos da NBA ou do Prime Vídeo poderá ver novo embate sensacional, em Los Angeles, entre Los Angeles Lakers e Golden State Warriors.
Nada menos que LeBron James e Doncic contra Curry e Jimmy Butler, quarto contra quinto colocados, LAL à frente, com duas vitórias a mais que podem virar apenas uma —e faltarão seis jogos para cada um na temporada regular, a que classifica para as finais.
Este colunista futebolístico, apaixonado também pelo diabólico basquete, abriu literalmente mão de ver o argentino Racing humilhar, mais uma vez, o futebol brasileiro, na capital cearense, por 3 a 0, sobre o Fortaleza, pela Libertadores, assim como a vitória do Fluminense por 1 a 0, fora de casa, sobre o colombiano Once Caldas, e o empate do Atlético Mineiro sem gols em Cusco, desumanos 3.400 m de altitude, com o Cienciano, pela Copa Sul-Americana.
Porque há momentos em que o basquete tem preferência.
Stephen Curry, quase perfeito, merece.
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